O gato que subiu no telhado
Saber exatamente onde você está agora; conseguir calcular o meio termo exato entre me entregar e cuidar de mim (sabendo que só eu posso fazer isso); o grau de confiança que lhe permita mudar sua vida por alguém; a maior distância entre dois pontos percorrida no menor intervalo de tempo; rir das mesmas piadas - ou só entendê-las: ou só sorrir. Achar que a sua música preferida é curta demais.
Preferir os amigos, os domingos, o sangue correndo silencioso; juntar aquele monte de música triste de um jeito que signifique ao menos esperança.
O amor agora é isso, ou tudo que eu aprendi até agora me prova: a vida não é nada disso que parece ser.
terça-feira, junho 01, 2010
quinta-feira, maio 27, 2010
terça-feira, maio 11, 2010
segunda-feira, maio 10, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
segunda-feira, maio 03, 2010
O barulho do gato
Falou a verdade: que os dedos passeavam lentos sobre o teclado surrado, os fones de ouvido na cabeça e os olhos por cima do monitor, talvez uma olhada pro lado e ele lançava um sorriso besta.
Ela ria de volta. A pouca idade, o sono atrasado, o cabelo ruim. Um salário bem mínimo gasto de forma imprudente porém sincera.
Ela começava um namoro novo e ele começava uma vida nova em outro lugar, sonhando ainda com um passado. (Um tipo desse que a gente insiste que é pra toda a vida, aquele sempre suspirar e sempre comparar e sempre achar que é aquilo sim a coisa real, a coisa toda.)
Ela percebeu mas não se apaixonou pelas onomatopéias e pelo andar meio sem jeito e pelo sorriso mortal. Ele não se apaixonou porque, você sabe, é isso que normalmente acontece.
Mas agora, depois de tanto tempo, ela nua às 5h da manhã, o cabelo bagunçado, a maquiagem borrada, as coxas brancas prendendo a perna dele e tanta coisa na cabeça, vai saber. Pareceu um risco que alguém esqueceu de evitar.
Falou a verdade: que os dedos passeavam lentos sobre o teclado surrado, os fones de ouvido na cabeça e os olhos por cima do monitor, talvez uma olhada pro lado e ele lançava um sorriso besta.
Ela ria de volta. A pouca idade, o sono atrasado, o cabelo ruim. Um salário bem mínimo gasto de forma imprudente porém sincera.
Ela começava um namoro novo e ele começava uma vida nova em outro lugar, sonhando ainda com um passado. (Um tipo desse que a gente insiste que é pra toda a vida, aquele sempre suspirar e sempre comparar e sempre achar que é aquilo sim a coisa real, a coisa toda.)
Ela percebeu mas não se apaixonou pelas onomatopéias e pelo andar meio sem jeito e pelo sorriso mortal. Ele não se apaixonou porque, você sabe, é isso que normalmente acontece.
Mas agora, depois de tanto tempo, ela nua às 5h da manhã, o cabelo bagunçado, a maquiagem borrada, as coxas brancas prendendo a perna dele e tanta coisa na cabeça, vai saber. Pareceu um risco que alguém esqueceu de evitar.
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